Era dia 29, uma noite quente de sexta-feira, uma bela noite por sinal. Não se via uma única nuvem no céu da capital. Eu estava esperando por Giselle, Gi como eu a chamava, simplesmente a mulher mais linda que já havia visto. Nós iríamos jantar num dos locais mais bonitos da cidade.
— Dessa vez eu não vou deixar a timidez tomar conta de mim! — repetia para mim mesmo — não vou! — talvez se eu repetir isso bastante minhas mãos parem de tremer.
Ela não chega, porque será? Acho que eu vou mandar uma mensagem para ela. “Onde você está?”. Mandei a mensagem e já estava esperando uma respostado tipo: “Esqueci de te avisar, marquei de levar uma surra de um PM, e não posso me atrasar pra esse compromisso”. De repente o telefone toca:
— Alô — atendi.
—Oi! Já estou chegando aí no seu bloco — a voz dela é linda.
— Ufa!
— Você falou alguma coisa?
— Eu não, deve ter sido alguma interferência, esse meu celular é uma merda de se falar — especialmente quando minha mão está tremendo.
— Chego aí em 5 minutinhos!
— Ok! — uma sensação de alívio tomou conta do meu corpo, mas as mãos tremiam.
Pontualmente 7 minutos atrasada, ela apareceu na porta do meu bloco. Entrei no carro. Ela parecia um anjo que tinha ido me pegar para jantar. Acho que fiquei uns 3 minutos parado olhando para ela, até que ela resolveu puxar assunto:
— Oi moço — ela me deu um comportado beijo na bochecha.
— Oi Gi.
Não conseguia parar de olhar para ela. Ela estava usando um vestido preto. Linda, não havia melhor palavra para descrevê-la.
— Você está meio monossilábico hoje né?
— É o tempo seco — menti, eu suava feito um louco.
— Hum, sei. Vamos então?
— Vamos — de repente o vento ajuda a secar minha camisa suada.
Foi uma viagem curta de carro, o restaurante era relativamente perto de casa. Não conseguia puxar muitos assuntos com ela. Maldita timidez!
Não era a primeira vez que eu saia com ela. Já tinha ido ao cinema, a shows, festas, barzinhos, até um jogo de futebol fomos ver na casa de um amigo. Mas nunca tive a coragem de dar um beijo em seus belos lábios, não por falta de vontade, mas sim por causa daquela maldita vozinha na minha cabeça que dizia: “Ela vai te dar um fora, ela é areia demais pro teu caminhão. Quem você acha que é? Bono Vox?”.
— Chegamos, onde vamos jantar? — ela perguntou.
— Que tal aquele restaurante alemão? Lá a comida é boa e o chopp é ótimo.
— Boa idéia.
Sentamos no restaurante, e começamos a conversar.
— To impressionada como não nos encontramos antes — trabalhávamos na mesma instituição financeira — você não acha?
— Sim, mas o que você não sabe é que eu já fui pro seu aniversário e você não lembra disso.
— Sério? Quando?
— Uns dois anos atrás, você fez seu aniversário com uma amiga minha, eu fui pra festa, mas você nem me notou...
— Certamente você também nem prestou atenção em mim também!
— Aí que você se engana, lembro de ter comentado com um amigo meu o quão bonita você estava.
— É mesmo, e o que ele respondeu?
— Nada, tava em coma alcoólico.
— Você é um bobo.
Depois de alguns minutos de conversa, minhas mãos pararam de tremer. Notei o quão fácil era conversar com a Gi. Além de bonita, inteligente, tudo o que eu sonhei. Dava gosto conversar com ela, apesar de as vezes eu me perder no papo, apreciando sua beleza.
— A conta por favor! — ela pediu para o garçom.
Comecei a suar novamente. Sabia que a hora estava chegando. Não ia estragar tudo dessa vez. Estava num lugar romântico, com uma mulher linda, se eu deixar ela escapar nunca irei me perdoar!
O garçom trouxe a conta. Nem olhei quanto foi, passei no cartão de crédito. A única coisa que eu preocupava era como eu ia conseguir trazer a Gi pra minha vida. Foi então que uma luz desceu sobre a minha cabeça e me veio uma idéia.
— Vamos dar uma caminhada? —perguntei para ela.
— Vamos, aqui é tão bonito.
— Então vamos — eu pensei que talvez, com menos gente em volta minha timidez passasse.
Foi uma caminhada curta, mas para mim parecia uma eternidade. O que eu vou fazer? O que eu vou falar? E se ela disser não. Será que ela vai falar não?
— Sua mão ta suando — ela disse.
— É sempre fica assim depois que eu como alguma coisa — eu não acredito que eu disse isso...
— Sério? — ela arregalou os olhos.
— Na verdade não, eu não sabia o que falar e falei isso.
— Hehe, adoro esse seu humor espontâneo — o sorriso dela me trouxe uma paz de espírito fenomenal.
— Sabe, você está linda hoje. Não sei se já disse isso.
— Sim, já disse umas 17 vezes, mas pode continuar dizendo.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Pode.
Não perguntei, simplesmente abracei-a e beijei seus lábios. O mundo parou. Parou porque sabia que algo especial estava acontecendo. Parou porque era um momento que valia a pena ser apreciado cada segundo. Parou porque eu consegui beijar a mulher mais linda do mundo.
— Gostei desse beijo — ela disse.
— Eu também — disse o homem mais feliz do mundo, e com o maior problema de sudorese também.
— Eu achei que você nunca fosse me beijar.
— Nunca é muito tempo, eu só precisava de um pouquinho de coragem, além do que, quer um lugar mais lindo do que esse para nosso primeiro beijo?
— É verdade.
E a partir daquele beijo meus problemas nervosos acabariam. Eu sabia que não precisava mais me preocupar com solidão, timidez ou o que fosse. Eu consegui! Dei um beijo na mulher mais linda do mundo, não quero mais nada na minha vida! Apenas Giselle. Minha flor, minha vida, minha princesa....
