domingo, outubro 15, 2006

Sobre greve e coletivismo

Quem me conhece sabe que esse blog poucas vezes, de repente até nunca, foi usado para expressão de sentimentos meus. Costumo guardar esse espaço para colocar coisas divertidas, que alegram os dias das pessoas que passam por aqui, apesar de serem poucas. Porém, vou alterar essa premissa apenas esta vez, porque tenho algo que está me incomodando muito, são 04:13 da manhã e eu preciso falar sobre isso. Então para ficar claro, o texto abaixo não foi escrito pelo Sr Cone, e sim pelo Celso.
Fato: o Banco do Brasil, e outras instituições financeiras, fizeram uma greve de 12 dias, se não me engano, em busca de um melhor reajuste para os bancários. A greve foi aderida por aproximadamente 60% dos bancários do Brasil, sendo que a maior taxa de adesão foi no Banco do Brasil e na Caixa Economica Federal, situação normal tendo em vista o controle do governo e estabilidade nessas instituições. Pois bem, na quarta-feira, dia 11/10/2006, os bancários de Brasília resolveram encerrar a greve, pois a adesão estava diminuindo e o movimento grevista acreditava que não conseguiria avançar nas negociações. Os bancários deveriam retornar ao serviço no dia útil seguinte, 13/10/2006 (sexta feira).
Agora, vamos avaliar algumas situações pós-greve. Existe um velho ditado que diz "Quem quer o bônus, tem que arcar com ônus", eu ouvi esse ditado pela primeira vez dos meus pais, e deve ser por isso que eu o levo tão a sério. Mas vamos ao que interessa: nós, bancários que fizemos greve arcamos com o ônus (desconto salarial, faltas não abonadas, compensação de horas da greve) para conseguirmos o bônus (no caso descrito 3,5% de reajuste e uma melhora na proposta de participação dos lucros), esse é o fluxo normal e aceitável. Mas e os pelegos? Eles recebem o bônus, não recebem? Mas por acaso eles arcam com o ônus?
Esse assunto não me incomodava anteriormente, já passei por quatro greves desde que me tornei bancário, porém o que me fez ficar assim esse ano, foram os comentários dos pelegos em relação a greve e que me fizeram mudar de atitude.
No meu ponto de vista, os pelegos não tem o direito de comentar a greve, seja positivamente ou negativamente, já que não participam da mesma. Não tem o direito de ficar feliz ou triste pelo fim do movimento, afinal, seja qual for o resultado, ele sempre sai ganhando. Ele fica lá bajulando o chefe, sim, bajulando porque qualquer razão que você possa apontar leva a essa (Exemplo: Se eu entrar em greve posso perder minha comissão que eu preciso pra sustentar minha familia, se você parar para analisar você está indo trabalhar, para bajular seu chefe, e ele não tirar sua comissão; eu não estou discutindo os meios e sim os fins), aguardando os outros se fuderem para que eles desfrutem dos mesmos benefícios. E se a greve não render nada, aos pelegos nada acontece, enquanto os grevistas continuam arcando com o ônus, e sendo mal vistos pela gerência.
Até agora eu enrolei, enrolei, mas não cheguei onde eu queria, no Coletivismo. Você pode ser a pessoa que mais sabe de um certo serviço, mas se você não pensa no Coletivo, você é um profissional de merda. Agora, se você é um cara que se engaja, que auxília o grupo na conquista de uma meta, você será um grande profissional e acima de tudo, obterá respeito de seus companheiros de trabalho.
Você não pode colocar um preço para seus ideais. Me orgulho de dizer que cumpri o que foi definido pela Assembléia dos Bancários de Brásilia, como também me orgulho de alguns amigos, como o Flávio, a Shirley e o Vivas, que não só participaram da greve no Rio, como também me ligavam para saber como estava a greve por aqui, do mesmo jeito que eu fazia com eles. Me orgulho também de um amigo pelego daqui de Brasília, ele trabalhou durante a greve, mas no primeiro dia de trabalho, no dia 13, foi falar com todos os grevistas, pessoalmente, pedindo desculpas por não ter participado, se justificando, agradecendo aos que fizeram greve e oferecendo auxílio a todos aqueles que precisarem para por o serviço em ordem. Essa é uma atitude decente.
Acho que com isso eu consigo desabafar o que estava entalado na minha garganta desde sexta-feira. Minha intenção foi expressar meus sentimentos. Eu estava a ponto de explodir e se o fizesse numa conversa ou num chat, iria ser grosso, chulo e certamente eu iria perder alguns amigos queridos nesse processo.
Beijos paras as meninas que leram esse post e saudações pro resto.
CELSO
PS1: Primo, eu sei que fatalmente você vai ler esse post, se você não entendeu alguma coisa me avisa que eu te explico.
PS2: Flavio sua bicha, se você vier a ler esse post você me deve uma tequila da copa!
PS3: São 04:50 da manhã, ou seja, eu levei mais tempo escrevendo esse post do que escrevendo minha redação do vestibular da UERJ.
PS4: Eu só usei dois palavrões o texto inteiro, um novo recorde

2 comentários:

Anônimo disse...

Querido amigo, tenho honra de ter sido citada nesse post, e gostaria de te parabenizar pela atitude. Amanhã voltamos ao trabalho aqui no Rio, e provavelmente os comentários dos pelegos também virão. Mas eu penso exatamente do jeito que você escreveu. Faço greve pela crença de que ela vá melhorar alguma coisa não só pra mim, como também pra todos. E acho sinceramente, que o Banco espera muito mais dos seus "comissionados" do que agir e pensar como gado, bajulando o superior durante as greves enquanto outros colegas se expõem no movimento. Se assim fosse, nós dois não seríamos comissionados hoje, não é? O melhor que temos a fazer, apesar de obviamente ficarmos chateados com os comentários, é seguir em frente. Afinal, "os cães ladram e a caravana passa.". E os vilões, esses serão sempre vilões... Beijos, Lady Tits

Anônimo disse...

Caro amigo,
O nosso país, ou pelo menos o nosso ambiente de trabalho, seria muito melhor se todos pensassem no conjunto, como uma parte de uma grande máquina que precisa se mover e que a velocidade é ditada por cada um de nós.