Dia quente. Como diabos eu fui parar no clube? Acho que era dia de jogo, afinal, eu ainda tava com meu uniforme. Maldito uniforme preto! Que calor fazia dentro dele! Reviro minha bolsa de jogo para procurar uma camisa e uma bermuda para livrar-me daquele calor, mas não encontro nada... estranho.
Dou-me conta que tem uma cerveja gelada na minha mesa. Também percebo que não estou sozinho na mesa, um grupo está sentado conversando sobre o jogo, é o pessoal do trabalho. No meio da mesa, uma taça de campeão... acho que ganhamos.
Mas algo além da mesa prende minha atenção. Ela linda, ela é gostosa, ela... ela tá olhando pra mim? Ela tá olhando pra mim! Sou varrido por uma confiança, que dura exatos 10 segundos, afinal, quando uma mulher daquelas ia olhar pra mim? Eu devo estar com o cabelo despenteado ou, no mínimo, ela deve achar hilário o babaca com um uniforme todo preto naquele calor. Por que diabos eu ainda to de chuteira? Vou tirar essa merda...
Cerveja gelada é muito bom, quase esqueço o calor que tá fazendo. Algo não tá certo, onde foi aquela belíssima mulher? Será que ela tava me olhando mesmo? Claro que não idiota... Tomo mais um gole de cerveja... que delícia.
"Oi!". Nunca tão poucas letras me fizeram suar tanto! Era ela, ali, em pé, do meu lado! Ela era linda, de perto eu vi que seu rosto não era tão perfeito quanto eu imaginava, foi quando notei que estava sem meus óculos, mas continuava linda. Agora que ela estava de pé, vi que era alta, usava o uniforme do time de volei do clube. Me perdi olhando para as coxas dela, meu Deus, que coxas...
"Ooooi!". Se duas letras me fizeram suar, 5 me fizeram acordar. Fala algo idiota! "Oi, tudo bem?". Muito bom Casanova, bem inovador. "Tudo bem... Você se importa se eu me sentar ao seu lado?". Sentar ao meu lado? Alguém me belisca! "De forma alguma sente-se!".
- Eu fiquei te olhando desde que você chegou do jogo. Prazer, meu nome é Luiza!
- O Prazer é todo meu - acredite, é - o meu nome é...
- Eu sei seu nome...
- Sabe? - eu tenho que parar de beber.
- Sim. Está escrito atrás da sua camisa. Posso tomar um gole da sua cerveja?
- É mesmo! - Estupidez 2, Casanova 0 - Deixa eu pedir um copo pra você...
- Sabe, você jogou bem no jogo hoje!
- Mentira, você tá falando isso pra me agradar!
- Verdade, só falei pra puxar assunto... Você é meio tímido né?
- Sou um pouco sim. Seu sotaque é diferente, você não é daqui né? - Estupidez 2, Luiza 1, Casanova 0.
- Não, sou do sul, cheguei na cidade tem pouco menos de um ano. E você?
- Estou aqui há três anos. Posso te fazer uma pergunta?
- Hum... tudo bem!
- Por que você tava me olhando tanto... Eu não to acostumado com esse tipo de assédio... - Muito bom Shrek! Fala pra bonitona que tu é feio... Parabéns!
- Não sei, sabe quando você olha a pessoa e sente algo por ela?
- Sei! - Picas...
- Pois foi o que aconteceu. Nossa, como tá quente... - ela tira a camisa, e fica só de Top.
- Aham. - Para de olhar pros peitos dela imbecil! Olha pro rosto! Pro rosto!
- Atrevidinho você hein.
- Hã?
- Eu vi você olhando pra eles... Gostou?
- Aham. São muito... - grandes, fartos? - são muito bonitos.
Nesse momento olhei em volta e todos no bar tinham saído. Mas como? Ninguém falou comigo, talvez por estar com aquela beldade. Comecei a duvidar de minha sanidade.
- Você ficou calado de novo...
- Foi pra beber um gole de cerveja.
- Seu copo tá vazio, bobo! - Pronto me ganhou...
- Agora você me pegou. - A pegada dela deve ser ótima.
- Conheço um jeito ótimo de acabar com sua timidez.
Ela levanta. Passa por trás da minha cadeira. Me dá um beijo no pescoço, e que beijo, sinto ele até hoje. Ela anda em volta do bar, apaga as luzes. Certifica que esta vazio e caminha até o balcão. Ela volta com uma garrafa de Tequila.
- Abre a boca.
Ela me beija, na boca. Quando termina ela vira tequila na minha boca e diz: "Bebe!". Bebi! Dizem que a tequila é amarga, não senti seu gosto, fiquei olhando para o seu rosto... e para seus peitos. Meu Deus, como ela é linda.
- Agora vamos relaxar! - Como assim, agora?
Ela sentou no meu colo, virada de frente pra mim. Coloquei as mãos nas suas coxas. Ela me perguntou: "Mas você até agora não disse o que acha de mim!". "Você é a mulher mais linda que já pisou na face da terra, você é inteiramente linda."
Empolgada pelas minhas últimas palavras, ela tirou o Top e eu pude contemplar seus seios. Eles eram perfeitos! Não me contive, toquei-os. Começamos a nos beijar, enlouquecidamente naquele bar, ao fundo eu ouvia uma música. Uma música familiar.
- Eu quero você! - Ela gritou, com os seios a mostra.
- Eu também te quero, só você, pra sempre. - A música foi ficando cada vez mais alta.
- Vamos pro chão! Você vai ser meu aqui! - Algumas luzes do bar começam a acender.
- Você é demais! - Que música é essa? - Você tá ouvindo essa música?
- Mmm! huuum! Que música?
- Parece aquela "Forever Young"! E por que o bar tá ficando mais claro? Luiza? Luiza?
Eu só tive tempo de vislumbrar uma última vez seu belo rosto e seios perfeitos. Acordo sozinho em minha cama, murmurando o nome dela... Luiza, Luiza... mas ela já não me ouvia mais. Tento voltar a dormir, mas as feições de seu rosto não voltam a minha mente. E melancolicamente levanto-me, vivendo um pesadelo, por não mais sonhar com aquela apaixonante mulher.
De Luiza sobrou apenas a lembrança. A lembrança de uma noite em que, a mulher de minha vida apareceu num sonho lindo, onde nos apaixonamos, e da mesma forma simples que entrou na minha vida, foi estirpada, por um despertador. Alias, preciso comprar um despertador novo, aquele usurpador de sonhos descansa em paz na lata de lixo do prédio.
domingo, outubro 19, 2008
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